O marketing de influência deixou de ser uma ação pontual […]
O marketing de influência deixou de ser uma ação pontual para se tornar parte importante das estratégias de comunicação e vendas das empresas. Com isso, cresce também a responsabilidade legal das marcas. Quando um influenciador fala em nome da empresa, o público entende que se trata de publicidade — e a legislação também.
No Brasil, as regras que envolvem esse tipo de campanha combinam diferentes fontes:
Além disso, em setores como apostas, saúde, bebidas e finanças, existem normas específicas que atribuem responsabilidade direta à empresa pelas ações dos influenciadores. Nesse cenário, o contrato é essencial para organizar as entregas, evitar riscos e garantir que tudo esteja dentro da lei.
O contrato deve transformar a estratégia da campanha em obrigações claras. É importante ir além de cláusulas genéricas como “postar X stories e 1 feed” e detalhar:
Se forem usadas métricas, elas devem ser tratadas como metas de entrega (ex.: alcance ou engajamento), e não como metas de venda, a menos que o influenciador tenha controle direto sobre a conversão.
Outros pontos úteis:
Esses cuidados ajudam a evitar discussões e facilitam a verificação das entregas.
Pelo CDC, a empresa é responsável por qualquer publicidade enganosa ou omissa, mesmo que o erro tenha sido do influenciador. A sinalização clara de conteúdo publicitário é obrigatória por lei, pelas regras do CONAR e pelas políticas das plataformas.
No Instagram, por exemplo, é preciso usar a ferramenta de “Conteúdo de marca” com a tag de parceria paga. O contrato deve exigir essa identificação e prever correção imediata se o conteúdo for publicado sem as etiquetas.
Cláusulas recomendadas:
É essencial definir quem é dono do conteúdo e quais direitos a empresa terá sobre ele. Usar um vídeo do influenciador em anúncios, e-commerce ou TV não é automático — precisa de autorização específica.
Por isso, o contrato deve incluir:
Se a campanha tiver várias peças, vale incluir um anexo com checagem de terceiros envolvidos (como locações, marcas ou pessoas que aparecem nos vídeos).
O contrato deve deixar claro:
Checklist básico:
A imagem da empresa pode ser afetada por comportamentos do influenciador que vão contra seus valores. Por isso, é importante incluir cláusulas que permitam suspender ou encerrar a campanha em casos de discurso de ódio, discriminação, ilegalidades ou violação das regras da plataforma.
Em setores regulados, como apostas, bebidas e saúde, as exigências são ainda maiores. A empresa pode ser responsabilizada pelas ações do influenciador, o que exige uma análise prévia do perfil, público-alvo e tipo de conteúdo, além de treinamentos sobre o que pode ou não ser dito.
Medidas que ajudam a reduzir riscos:
Defina o modelo de remuneração (fixo, variável por entrega ou por resultado), o calendário de pagamentos e os documentos fiscais. Se o pagamento estiver ligado a métricas, o contrato deve indicar qual relatório será usado como referência e como lidar com possíveis manipulações.
Cada publicação deve gerar uma evidência: link, ID do post, data, hora e print. O influenciador também deve guardar os arquivos originais pelo prazo do contrato. Isso ajuda a empresa a se proteger em caso de questionamentos legais ou regulatórios.
Trabalhar com influenciadores exige planejamento e cuidado. Um contrato bem feito ajuda a evitar problemas, protege a empresa e garante que a campanha seja executada com clareza e responsabilidade.
Sua empresa trabalha com influenciadores ou está planejando uma campanha digital? Fale com nossa equipe para revisar seus contratos, organizar os pontos críticos e garantir que tudo esteja alinhado com as regras do setor, sem surpresas e com segurança.
Por
Maria Vitória Voltolini