A inteligência artificial (IA) já deixou de ser uma promessa futura para […]
A inteligência artificial (IA) já deixou de ser uma promessa futura para se tornar um recurso estratégico presente no dia a dia das empresas. Ela otimiza processos, impulsiona a competitividade e aprimora a tomada de decisões, oferecendo uma vantagem inegável no mercado.
Contudo, a adoção acelerada e, muitas vezes, descontrolada dessas tecnologias traz consigo uma série de riscos ocultos (https://www.smnadv.com.br/ia-generativa-na-empresa-como-usar-chatgpt-copilot-e-gemini-sem-expor-dados-segredos-de-negocio-e-responsabilidade-juridica/). O uso indiscriminado de IA, sem a devida supervisão e rastreabilidade, pode expor sua empresa a vulnerabilidades operacionais, financeiras, regulatórias e, principalmente, jurídicas.
É neste cenário que a governança de inteligência artificial se torna não apenas uma boa prática, mas uma necessidade indispensável. Implementar uma estrutura de governança robusta é o caminho para inovar com responsabilidade, garantindo segurança e conformidade.
O entusiasmo com as possibilidades da IA pode ofuscar seus perigos. Uma governança frágil ou inexistente abre portas a problemas graves que podem comprometer desde a reputação da marca até sua saúde financeira.
Um dos principais perigos é a exposição de segredos industriais, informações confidenciais e dados pessoais. Ferramentas de IA, especialmente as de código aberto (open source), podem não oferecer garantias quanto ao uso, armazenamento ou compartilhamento dos dados inseridos, criando um risco de vazamento incontrolável.
Além disso, existe o fenômeno da Shadow AI: sistemas de IA desenvolvidos ou utilizados por equipes sem a supervisão da área de TI ou de compliance. Essas ferramentas podem introduzir vieses discriminatórios em processos de contratação ou análise de crédito, gerando danos reputacionais e passivos judiciais.
Essas práticas violam diretamente princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), como a transparência e a responsabilização (accountability). A falta de controle sobre como a IA trata dados pessoais pode resultar em pesadas sanções e na perda de confiança de clientes e parceiros.
O debate sobre a regulação da inteligência artificial avança rapidamente no Brasil e no mundo. O Marco Legal da IA, em tramitação no Congresso Nacional (https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/senado-federal-aprova-marco-regulatorio-da-inteligencia-artificial), e o AI Act europeu (https://www.conjur.com.br/2024-mar-14/ai-act-projeto-de-estrutura-regulatoria-de-ia-na-uniao-europeia/) são exemplos claros de que, em breve, haverá um conjunto de regras e obrigações claras para quem desenvolve e utiliza essas tecnologias.
Aguardar a publicação da lei para começar a se adaptar é uma estratégia arriscada. As empresas que se anteciparem, estruturando desde já sua governança de inteligência artificial, estarão mais bem preparadas para atender às exigências legais e evitar multas e outras penalidades.
Essa preparação envolve entender a classificação de riscos dos sistemas de IA, garantir a supervisão humana em decisões críticas e ser capaz de demonstrar a conformidade de suas operações.
Construir uma governança eficaz é um processo estratégico que envolve diferentes áreas da empresa. Não se trata apenas de adquirir uma nova ferramenta, mas de criar uma cultura de uso responsável da tecnologia.
O primeiro passo é entender como e onde a inteligência artificial já está sendo utilizada em sua empresa. Reúna os gestores de diferentes áreas (stakeholders) para mapear os processos que dependem de IA, sejam eles de ferramentas contratadas ou de sistemas internos.
Este diagnóstico deve identificar as lacunas de controle e os potenciais riscos associados a cada uso. Sem uma mensuração adequada do cenário atual, é impossível gerenciar os riscos de forma eficaz e direcionar os investimentos em governança corretamente.
Com o mapa de riscos em mãos, o próximo passo é desenvolver políticas claras. A criação de um Código de Conduta para o Uso de IA é fundamental para orientar os colaboradores sobre o que é permitido e quais são as melhores práticas.
Os processos e controles internos devem assegurar um uso ético, seguro e transparente da tecnologia. Isso inclui a revisão de contratos com fornecedores de IA, estabelecendo cláusulas que delimitem responsabilidades e garantam a proteção dos dados da sua empresa.
Adotar o princípio de IA by design é crucial. Assim como a privacidade (privacy by design), a segurança e a ética da IA devem ser consideradas desde a fase de concepção de um novo projeto ou da contratação de uma nova ferramenta, garantindo rastreabilidade e mitigando prejuízos.
Nenhuma política de governança é eficaz sem o engajamento das pessoas. É essencial investir na capacitação contínua dos colaboradores para que eles compreendam os riscos e saibam como utilizar as ferramentas de IA de forma segura e responsável.
Seguindo o exemplo de iniciativas como a do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) (https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/mgi-institui-politica-de-governanca-de-inteligencia-artificial-no-ambito-do-ministerio), que estruturou trilhas de formação em IA para diferentes perfis, sua empresa pode criar programas de treinamento para usuários, líderes e equipes técnicas, fortalecendo uma cultura de inovação responsável.
Na jornada para uma governança de IA sólida, uma figura ganha destaque: o Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais (DPO). Seu papel evoluiu da conformidade com a LGPD para uma atuação mais ampla e estratégica na gestão de riscos tecnológicos.
O DPO torna-se a peça central para alinhar tecnologia, governança, privacidade e regulação. Ele atua como um maestro, garantindo que as diferentes áreas da empresa trabalhem em harmonia para assegurar o uso ético e seguro da inteligência artificial.
É um equívoco ver o DPO como um solucionador de problemas operacionais. Sua função é estratégica: comunicar riscos à alta liderança, propor soluções e orientar a empresa na navegação pelo complexo cenário regulatório, garantindo que a inovação não aconteça à custa da segurança.
No contexto da IA, o DPO é responsável por avaliar os riscos de novas tecnologias, auxiliar na elaboração de políticas, elaborar relatórios de impacto e propor controles para mitigar vulnerabilidades, sempre em colaboração com os gestores.
Sua atuação se baseia em frameworks de governança reconhecidos, como a ISO/IEC 42001:2023 e o AI RMF do NIST, garantindo que a empresa não apenas cumpra a legislação, mas adote as melhores práticas de mercado para proteger seus ativos e sua reputação.
Governar a inteligência artificial não significa frear a inovação. Pelo contrário, significa criar as condições para que ela aconteça de forma sustentável, segura e ética, transformando a responsabilidade em uma poderosa vantagem competitiva.
Uma governança de IA bem estruturada protege a empresa de riscos legais e financeiros, fortalece a segurança da informação e, acima de tudo, constrói uma relação de confiança com clientes, colaboradores e parceiros comerciais.
Para navegar com segurança por este novo cenário regulatório e transformar a governança de inteligência artificial em um diferencial para o seu negócio, contar com uma assessoria jurídica especializada é o primeiro passo para uma inovação verdadeiramente responsável e duradoura. A SMN Advogados realiza diagnósticos de uso de IA e desenvolve as políticas e controles internos específicos para cada negócio!
Por
Amanda Voltolini